Empresários e consumidores criam estratégias para driblar a inflação.

A inflação brasileira segue pressionando a economia. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta de 0,56% no mês, elevando a inflação anual para 5,48%, bem acima da meta oficial de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Se considerarmos o índice IGP-M a inflação acumulada nos últimos 12 meses chega impressionantes 8,58%.
O cenário se agrava com a persistência do déficit público, que não dá sinais de reversão, alimentando a expectativa de manutenção das pressões inflacionarias e de juros elevados. Empresários e consumidores precisam se adaptar a esse triste contexto de constante queda no poder de compra da nossa moeda. É o que defende Mário Marques, economista e professor da SKEMA Business School.
Marques explica que a inflação elevada tem afetado principalmente os preços de alimentos e bebidas, cujos preços aumentaram somente no mês de março 1,17. Nesse ponto, o segmento dos Bares e Restaurantes tem sentido mais os impactos.
O especialista analisa que dentro do segmento de refeições fora do lar, os lanches tiveram um aumento acumulado de 8,23%, acima da inflação geral do setor, enquanto as refeições completas registraram variação menor, de 6,13%. Ainda assim, no Café Palhares, restaurante tradicional sediado no hipercentro de Belo Horizonte, por exemplo, o prato KAOL, Kachaça, arroz, ovo e linguiça, permanece a R$ 16,50 mesmo com a alta do ovo.
“O comportamento dos preços nos bares e restaurantes reflete o dilema atual da economia. O setor opera em margens reduzidas ou repassa aumento para os clientes que também estão com o orçamento espremido pela alta de preços. A inflação é um mal que afeta todos os agentes econômicos. Vale lembrar que o Brasil tem batido recordes de pedidos de recuperação judicial nos últimos meses” explica Mário Marques.
O economista contextualiza, ainda, que o levantamento da Abrasel, por exemplo, aponta que 26% dos empresários não conseguiram reajustar seus cardápios nos últimos 12 meses, enquanto 63% fizeram reajustes abaixo ou apenas acompanhando a inflação. O que demonstra que a inflação não é causada pelos empresários. Para ele, é imprescindível que empresários, empreendedores e consumidores controlem ainda mais os gastos. Mário orienta:
Empresários:
Revisão de Custos e Preços: Avalie periodicamente sua estrutura de custos e ajuste estratégico dos preços de venda conforme necessário, tentando não perder a competitividade.
Diversificação de Fornecedores: Estabelecer parceria com múltiplos fornecedores para reduzir riscos de desabastecimento e negociar melhores condições.
Investimento em Eficiência Operacional: Adote tecnologias que aumentem a produtividade e reduzam desperdícios, como automação e gestão inteligente de estoques.
Planejamento Financeiro e tributário: Fortalecer a resiliência financeira por meio da constituição de reservas estratégicas e da utilização de instrumentos financeiros que protejam o negócio contra a volatilidade cambial, oscilações de preços e carga tributária.
Consumidores:
Controle de Gastos: Monitore seus gastos mensais e priorize despesas essenciais, e evite compras por impulso.
Comparação de Preços: Utilize ferramentas online para comparar preços antes de realizar compras, buscando as melhores ofertas.
Investimentos Conservadores: Considere aplicações financeiras que ofereçam rentabilidade acima da inflação, como títulos públicos indexados ao IPCA.
Evite endividamento e de Financiamentos: Cautela redobrada antes de assumir novas dívidas. Em tempos de juros altos, qualquer nova dívida compromete ainda mais a renda futura. Se hoje já está difícil equilibrar o orçamento, imagine como será com mais uma prestação amanhã.
Educação Financeira: Invista em conhecimento sobre finanças pessoais para tomar decisões mais seguras e evitar o endividamento desnecessário.









