O PERIGO POR TRÁS DA FAMA ONLINE

Os cuidados que todos devem ter com influencers — e o alerta para a exposição de crianças na internet.

Nos últimos anos, os influenciadores digitais passaram a ocupar um espaço enorme no cotidiano de milhões de pessoas. São eles que ditam tendências de moda, indicam produtos, compartilham estilos de vida e conquistam audiências fiéis nas redes sociais. Mas, por trás da fama e dos seguidores, existe um universo de riscos, enganos e pressões que nem sempre são visíveis — e que merecem atenção redobrada, especialmente quando envolvem crianças e adolescentes.


A figura do influencer se tornou popular por seu poder de persuasão. O problema é que, muitas vezes, esse poder é exercido sem responsabilidade. Nem todos os criadores de conteúdo são especialistas nos assuntos sobre os quais falam, mas ainda assim emitem opiniões sobre saúde, alimentação, investimentos e comportamento como se fossem autoridade. Isso pode induzir seguidores ao erro, provocar frustrações e até gerar danos reais, físicos e emocionais.
Além disso, o conteúdo promovido frequentemente estimula o consumo exagerado, a busca por padrões estéticos inalcançáveis e a comparação constante com vidas “perfeitas” que, na verdade, são editadas e filtradas. Para jovens e adolescentes, que ainda estão em formação emocional, esse tipo de influência pode ser devastador, afetando a autoestima, a saúde mental e a capacidade de se aceitar como são.


Mas o alerta mais grave vai para o crescente número de crianças influencers, algumas com milhões de seguidores ainda na pré-escola. Muitas delas têm canais de vídeos, perfis no Instagram e TikTok, e já participam de campanhas publicitárias com grande alcance. O que pode parecer apenas “divertido” ou “bonitinho” esconde riscos profundos: a superexposição da infância, a ausência de limites claros entre lazer e trabalho, e o uso da imagem de menores para fins comerciais.
Não são raros os casos em que os próprios pais, de forma consciente ou não, transformam os filhos em produtos para ganhar visibilidade e dinheiro. Crianças que mal sabem o que significa internet já estão presas a rotinas de gravação, ensaios, aparições públicas e parcerias comerciais. Isso sem qualquer tipo de regulamentação formal, já que a legislação brasileira ainda caminha lentamente para lidar com esse novo tipo de exploração digital.


Psicólogos alertam que a exposição precoce à fama pode trazer sérios impactos emocionais. Muitos desses pequenos influencers crescem sem entender a diferença entre a imagem pública e a vida real, sentem-se obrigados a manter um comportamento idealizado e desenvolvem ansiedade e depressão quando os números de curtidas diminuem ou os seguidores desaparecem.


Outro problema é a exposição ao ódio. Mesmo crianças estão sujeitas a comentários ofensivos e abusivos, já que a internet é um espaço onde o anonimato muitas vezes protege os agressores. E quanto mais o conteúdo infantil viraliza, mais difícil se torna controlar onde e como esses vídeos e fotos serão usados. Casos de roubo de imagem, montagem, pornografia infantil e perseguição online já foram registrados, mostrando que a inocência do conteúdo nem sempre protege os pequenos.
Diante de tudo isso, os especialistas recomendam que os pais tenham extremo cuidado ao permitir que seus filhos se exponham nas redes. É essencial acompanhar de perto o que é postado, quem interage, como a criança está se sentindo em relação à exposição e, principalmente, garantir que ela tenha tempo e espaço para ser apenas criança — brincar, estudar, se desenvolver longe dos holofotes.


Da mesma forma, os consumidores de conteúdo — adultos ou jovens — precisam desenvolver senso crítico diante do que veem nas redes. Questionar se o conteúdo é publicitário, buscar fontes confiáveis para assuntos importantes e lembrar que o que aparece nas redes sociais raramente mostra a realidade completa.


A influência digital é, sim, uma ferramenta poderosa, que pode inspirar, informar e conectar pessoas. Mas, como toda ferramenta, precisa ser usada com responsabilidade. Quando mal administrada, ela deixa de ser entretenimento e se torna um risco à saúde emocional, à privacidade e, no caso das crianças, ao próprio direito de viver uma infância protegida.

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