Bruno de Souza Rodrigues e Jeander Vinícius da Silva Braga foram denunciados pelo MP pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, estelionato e crimes patrimoniais. Bruno Rodrigues (esq.) e Jeander Vinícius (dir.) foram denunciados pela morte do ator Jeff Machado (ao centro)
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A juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 1ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, marcou a primeira audiência de instrução e julgamento para os réus Bruno de Souza Rodrigues e Jeander Vinicius da Silva Braga, acusados de matar o ator Jeff Machado.
No dia 27 de outubro, a partir das 13h, começam a ser ouvidas as testemunhas convocadas pelo Ministério Público, entre elas a mãe e o irmão de Jeff. Ao todo, o MP convocou 18 testemunhas.
A assistência de acusação, exercida pelo advogado Jairo Machado – que auxilia a família do ator -, também convocou uma testemunha para ser ouvida. Ele quer concentrar suas perguntas para o investigador da Delegacia de Descoberta de Paradeiros, que conduziu a apuração do caso.
Réu teve problema com a defesa
No despacho em que marcou a audiência, a juíza do caso negou um pedido da defesa de Bruno Rodrigues para aumentar o prazo para que ele tivesse mais tempo para se inteirar do processo.
A magistrada alegou que os autos do processo são integralmente virtuais, motivo pelo qual seria desnecessário ir ao cartório para se certificar do mesmo, como alegou a defesa, e, na ausência de encaminhamentos do réu, indicou que o mesmo recebesse suporte da Defensoria Pública.
“Indefiro a dilação de prazo. Portanto, diante da ausência de apresentação da resposta escrita, nomeio a Defensoria Pública”, determinou.
Bruno de Souza Rodrigues ao ser preso
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O caso
Jeff Machado estava desaparecido desde o final de janeiro, e seu corpo só foi encontrado em maio, concretado em um baú enterrado numa casa em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, em ação feita por Bruno e Jeander.
O Ministério Público ofereceu denúncia, através dos promotores de Justiça Alexandre Murilo Graça e Sauvei Lai, além do homicídio qualificado e ocultação de cadáver, os membros do MP ressaltaram ainda outros crimes:
homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, emprego de asfixia, uso de recurso que impediu a defesa da vítima e para ter vantagem de outro crime);
ocultação de cadáver ;
estelionato;
crimes patrimoniais contra o espólio do ator (saques, tentativa de venda do carro e da casa, compras com cartão de crédito);
invasão de dispositivo eletrônico;
falsa identidade (por se passar por Jeff Machado);
maus-tratos aos animais.
Apenas Bruno Rodrigues deve responder por todas essas imputações, já que estava em todas as ações. Jeander Vinicius da Silva Braga é acusado de homicídio, ocultação e maus-tratos a animais
Em conversa com o g1, o promotor Sauvei Lai disse que já esperava o recebimento da denúncia, uma vez que ela está bem fundamentada na investigação policial, com provas, depoimentos e cruzamento de dados – como a que foi feita com as antenas telefônicas dos acusados.
“Estávamos muito seguros de que a denúncia seria recebida e agora aguardamos com tranquilidade o prosseguimento do processo. Também estamos confiantes de que os acusados serão pronunciados para serem julgados pelo Tribunal do Júri”, disse Sauvei Lai ao g1.
Polícia conclui inquérito da morte de Jeff Machado
A denúncia do MP
De acordo com a denúncia, no dia 23 de janeiro deste ano, na casa de Jeff, Bruno ministrou substância entorpecente na bebida do ator, para na sequência estrangulá-lo com um cabo de aparelho de telefone, provocando sua morte.
A motivação para o crime teria sido a falsa promessa de conseguir uma vaga para o ator em uma emissora de televisão, mediante R$ 18 mil. Após o dinheiro não ser devolvido e tampouco a contratação, Bruno matou a vítima.
Dias depois do homicídio, a investigação demonstrou que Bruno de Souza se passou por Jefferson e utilizou a senha do cartão de crédito dele para efetuar compras em estabelecimentos comerciais e anunciou a venda do carro da vítima em agências de automóveis. Houve ainda invasão ao telefone da vítima, por meio do qual, Bruno se atribuiu falsa identidade para manter diálogos com familiares e amigos da vítima, e terceiros para benefício próprio.
A denúncia descreve também que os acusados praticaram maus-tratos contra animais domésticos ao abandonarem oito cães de raça pertencentes ao ator, em um terreno vazio, sem alimentação e cuidados de higiene, quando dois morreram e um desapareceu.
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