Profissional contou ainda que foi interceptado por mais de dez bandidos, que fizeram um arrastão no veículo, apontaram arma para ele e passageiros e, por fim, jogaram o explosivo. Motorista de ônibus que foi atacado por granada caseira fala sobre momentos de pavor que viveu
O motorista que conduzia ônibus da linha 771 (Campo Grande-Coelho Neto) contou como foi o ataque de criminosos ao veículo na noite da quarta-feira (27), e que terminou com o lançamento de uma granada caseira no transporte.
Ele disse que, ao ver os criminosos jogando pneus na estrada, já imaginou que aconteceria algo, e avisou aos passageiros.
“Falei: pronto! Vem alguma coisa aí e falei para o pessoal: tem alguma coisa acontecendo e o pessoal já ficou alerta”, disse.
Pneus jogado por bandidos para forçar a parada do ônibus
Reprodução
O motorista contou ainda que, após parar o veículo, mais de dez criminosos apareceram para iniciar o chamado arrastão, em que roubaram tudo de valor que os passageiros tinham.
“Mais de dez. Veio todo mundo pra cima. Forçaram a porta, roubaram os passageiros. Meteram a mão no caixa, mas só que só tinha moeda. O meu medo era a pistola que estava na minha cara”, disse o homem, que contou ainda estar traumatizado e sem conseguir dormir.
Ao final dos roubos em série, os bandidos gritavam que iriam tacar fogo no ônibus e mandaram o motorista descer. Um dos criminosos chegou na porta do ônibus e jogou a granada caseira.
“Devido ao estouro, você pensa o quê? Já era. Ainda mais com um cara com uma pistola na sua frente te ameaçando. O que vem na sua cabeça? Jogar na mão de Deus. Com o barulho da bomba, pensei: pegou em alguém. Atingiu alguém”, contou.
Três pessoas ficaram feridas e foram levadas para Hospital Albert Schweitzer. Uma mulher já recebeu alta, e outros dois homens continuam internados, mas sem risco de morte.
Nesta quinta-feira (28), o ônibus passou por perícia e foi trazido para a garagem. Os passageiros que estavam nos bancos da frente foram os mais impactados pela bomba caseira. Os pertences ficaram pelo chão que ainda tem a marca do sangue das pessoas feridas.
“O barulho ainda ecoa na sua cabeça. Estou até agora que sem conseguir dormir. A Avenida Brasil é um barril de pólvora. Você não sabe o que pode acontecer. Você não pode sair para lugar nenhum mais, fica preso por causa da situação que se encontra hoje no Rio de Janeiro”, disse.
Disputa do tráfico
Moradores da região relataram que o ataque ao ônibus foi coordenado por criminosos da comunidade Gogó do Chapadão na intenção de culpar traficantes do Complexo da Pedreira. Os dois grupos disputam o controle do tráfico de drogas há cerca de uma semana. O objetivo da ação seria provocar uma distração e direcionar os esforços da polícia para aquela área. A polícia investiga o caso.

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