O jornalista pediu desculpas e fez uma contribuição financeira para o trabalhador. O caso aconteceu no dia 9 de julho, quando o jornalista teria jogado o próprio pedido em cima do entregador Márcio Machado. Segundo a denúncia, Rica ainda teria ofendido e xingado o trabalhador depois de não concordar com o atendimento. Entregador registra ocorrência contra Rica Perrone por suposta agressão: ‘Me discriminou por eu ser motoboy’
Reprodução redes sociais
O entregador por aplicativo Márcio Machado e o jornalista Rica Perrone chegaram a um acordo para encerrar um desentendimento entre eles e evitar uma briga judicial. Em uma nota assinada pelos dois e publicada nesta terça-feira (26), eles informam que Rica pediu desculpas e fez uma contribuição financeira para o trabalhador.
“Agora em contato pudemos esclarecer, conversar, e concordar com o que de fato aconteceu e o Marcinho aceitou o pedido de desculpas feitas por Rica, que se propôs a fazer uma contribuição de boa-fé para melhorar as condições de vida e trabalho de Marcinho”, dizia outro trecho.
No último dia 15, Márcio chegou a registrar um boletim de ocorrência contra o jornalista, por uma suposta agressão durante um atendimento. Em entrevista ao podcast ‘O Poder nos Bastidores’, Rica confirmou as ofensas e a agressão contra o entregador no atendimento realizado em seu apartamento, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.
Ainda segunda a nota, os dois admitiram que o caso tomou uma proporção exagerada. Rica e Márcio disseram que após a divulgação do ocorrido, eles conversaram e esclareceram pontos importantes.
Os dois informaram que não houve agressão e não houve discriminação no caso. Segundo eles, “houve uma discussão com palavras de baixo calão e xingamentos”.
“A discussão não foi deflagrada por qualquer tentativa de Rica de obrigar Marcinho a levar a encomenda até a porta de seu apartamento ou insistência até que esse último cedesse e subisse até seu apartamento. Rica ressaltou, inclusive, que se ele não quisesse subir poderia levá-la de volta. O desentendimento ocorreu já durante a conversa na porta do apartamento”, dizia um trecho da nota.
“Ninguém jogou comida em ninguém. Rica apenas lançou a embalagem de alfajor nas mãos de Marcinho”
Relembre o caso
O desentendimento entre Rica e Márcio aconteceu no dia 9 de julho, quando o jornalista teria jogado o próprio pedido em cima do entregador. Em um podcast, publicado no começo de setembro, Rica contou que ofendeu e xingou o trabalhador depois de não concordar com o atendimento.
Segundo o jornalista, a discussão teve início quando o entregador disse que não subiria até o apartamento para levar o lanche. Rica explicou que não poderia descer porque estava trabalhando e ouviu do porteiro que o entregador iria encontrá-lo.
Ao chegar ao apartamento, Márcio teria explicado que, segundo a política do próprio aplicativo, é o cliente quem deve ir até o motoboy retirar a sua entrega. Rica, então, passou a xingá-lo e a agredi-lo.
Ao podcast, Rica disse que Márcio foi ríspido: “Desce pra pegar a p*rra do teu lanche” — o entregador negou que tenha falado assim com o jornalista.
Revoltado com a resposta, Rica contou no podcast que ofendeu o entregador e o agrediu, jogando o pedido que havia feito em cima dele.
“Vai embora daqui, seu c*zão do c*ralho. Vai embora, que eu vou abrir reclamação contra você. Quem você acha que é para vir na porta da minha casa e falar assim comigo?”, disse o jornalista.
Márcio Machado disse que foi agredido pelo jornalista Rica Perrone
Reprodução redes sociais
Durante a gravação, Rica afirmou que dos últimos 50 pedidos que havia feito, aquele tinha sido o primeiro entregador que se recusou a subir até seu apartamento.
Na opinião do jornalista, alguns entregadores “são abusados” e tratam mal as pessoas porque atualmente “não tem mais tapa na cara”.
“Sabe por que um cara não falava uma m*rda dessas há 20 anos? Porque ele ia tomar um tapa, ia tomar um soco na cara. Tô mentindo?”, disse Rica.
Na sequência, ele supõe que, atualmente, o trabalhador que tomasse um tapa na cara por um suposto mal atendimento iria se vitimizar com a situação e tentaria ganhar fama nas redes sociais.
“[Se fosse hoje] aí ele sai de lá e vai pensar: ‘Eu sou gay? Não. Eu sou preto? Não. Eu sou pobre. ‘Gente, sofri preconceito de um blogueiro, que eu fui na casa dele e ele me bateu'”, simulou o jornalista.
Rica então completa: “É obvio que todo mundo vai me massacrar e dar razão para o cara”.
Ação na Justiça
Responsável pela defesa de Márcio, o advogado Brian Hansen disse ao g1 que iria buscar uma reparação na Justiça.
“Importante salientar que a conduta lamentável do senhor Ricardo constitui crime tipificado pelo Código Penal Brasileiro e é justamente dentro deste liame que atuaremos. As agressões do sr. Ricardo deveriam ser motivo de vergonha, não de orgulho, como ele demonstrou no podcast ‘O poder nos bastidores'”, comentou Hansen.
O que diz o iFood
O iFood informou que “a obrigação do entregador é entregar no primeiro ponto de contato que existe na residência da pessoa, seja na porta de uma casa ou portaria de um condomínio”.
Caso o cliente se recuse a descer, a recomendação “é que o profissional avise sobre o ocorrido no aplicativo e volte com o pedido para o destino inicial (no caso, os estabelecimentos) ou descarte o item”.
Os clientes, por sua vez, podem solicitar o reembolso do pedido, que é avaliado caso a caso.
Procurado pela reportagem, até a última atualização desta reportagem, Rica Perrone não respondeu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *