Jornal da Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro

‘Buscamos vítimas vivas’, diz chefe dos bombeiros sobre queda de avião no mar entre Ubatuba e Paraty


Equipe de resgate está no sexto dia de buscas pelo copiloto e passageiro desaparecidos desde a noite do acidente, na última quarta-feira. Corpo do piloto, destroços e mochila foram encontrados. José Porfírio de Brito Júnior (esquerda) e Sérgio Dias, desaparecidos desde a queda de aeronave
Divulgação/Redes sociais
“A gente não tá trabalhando em busca de corpos, nós buscamos vítimas vivas”.
É assim que o secretário estadual de Defesa Civil e comandante geral do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Monteiro, está tratando as buscas pelos dois desaparecidos na queda do avião bimotor no mar entre Ubatuba (SP) e Paraty (RJ) na noite da última quarta-feira (24).
“É uma operação cara pro Governo do Estado, mas não existe preço quando nós falamos em vida”, acrescentou.
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Nesta terça-feira (30), a equipe de resgate completou seis dias de buscas intensas na região do acidente. O trabalho conta com helicópteros, mergulhadores, motos aquáticas e embarcações.
Área percorrida pelos bombeiros na segunda-feira
Divulgação/Corpo de Bombeiros
“As buscas costumam encerrar ao pôr do sol, por volta de 18h30, 18h20, depende do dia e de como está o tempo. E aí a gente continua nossas buscas terrestres nas praias e nas regiões. Nós estamos aqui, as nossas aeronaves estão aqui, nossas embarcações, e queremos continuar aqui até no prazo aproximado de 15 dias”, prometeu Roberto Monteiro.
“Esses 15 dias são os mergulhadores que estão no mar, nossos guarda-vidas, nosso aparato pessoal, mas as buscas vão continuar depois desse período. O Corpo de Bombeiros vai trabalhar até o último momento para encontrar essas vítimas vivas”, acrescentou.
Uma força-tarefa de parentes e amigos também vem navegando em alto-mar para auxiliar os órgãos oficiais nas buscas.
Movimentação para as buscas pelos desaparecidos
Divulgação/Corpo de Bombeiros
Os dois desaparecidos são:
o passageiro, Sérgio Alves Dias Filho, de 45 anos, empresário dono de uma empresa de blindagem com sede em Jacarepaguá, no Rio;
o copiloto, José Porfírio de Brito Júnior, de 20 anos, proprietário da aeronave, modelo PA-34-220T, morador do Recreio, no Rio.
O corpo do piloto, Gustavo Calçado Carneiro, de 27 anos, natural de Corumbá, no Mato Grosso, foi encontrado na tarde do dia seguinte ao acidente.
Gustavo Carneiro, sul-mato-grossense que pilotava avião que caiu no mar
Reprodução/Redes sociais
No mesmo dia, destroços da aeronave, entre eles uma poltrona, também foram encontrados em pelo menos dois pontos distantes entre Ubatuba e Paraty.
Destroços de avião que caiu no mar entre Ubatuba e Paraty
Reprodução/EPTV
Na segunda-feira (29), a Marinha do Brasil informou que, no último sábado (27), o Navio-Patrulha “Guajará”, que atua nas buscas, localizou e recolheu uma mochila com pertences que, supostamente, seriam de uma das vítimas.
O acidente
O avião bimotor desapareceu por volta das 21h de quarta-feira. O voo saiu às 20h30 do Aeroporto dos Amarais, em Campinas, e pousaria no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A torre do Rio de Janeiro perdeu o contato com a aeronave às 21h40.
Em nota, o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba informou que foi notificado sobre o desaparecimento da aeronave de prefixo PP-WRS e que às 4h15 de quinta-feira um helicóptero iniciou as buscas na área delimitada.
Bimotor com 3 a bordo cai no mar entre SP e RJ
Arte/g1
Família do copiloto pede ajuda nas redes sociais
Ana Regina ao lado do filho desaparecido, José Porfírio de Brito Júnior
Arquivo pessoal da família
A mãe, Ana Regina Agostinho, o pai, a namorada, os sogros e amigos do copiloto estão acompanhando o caso de perto desde o primeiro dia de buscas.
Pelas redes sociais, Ana Regina vem reforçando o pedido para que as buscas não sejam interrompidas.
“A minha fé está firmada na rocha. Nada nem ninguém vai fazer eu sair daqui sem meu filho. Deus alimento diário que sustenta a minha Fé. A FÉ é a certeza daquilo que esperamos e a prova daquilo que não podemos ver. Que a nossa Fé e a nossa Certeza esta em Deus”, publicou em seu perfil no Instagram nesta terça-feira.
Paixão pela avião desde criança
José Porfírio de Brito Júnior está no último período do curso de Logística na Universidade Estácio de Sá. Segundo consta na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ele é o proprietário da aeronave, modelo PA-34-220T.
A paixão pela aviação surgiu por influência do pai, José Porfirio de Brito, piloto de voos particulares.
José Porfírio de Brito Júnior
Arquivo pessoal da família
Vídeo mostra momento do embarque
Um vídeo obtido pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostra o passageiro e o copiloto passando pelo saguão do Aeroporto Campo dos Amarais, em Campinas, em direção ao avião, na noite do acidente.
Vídeo mostra passageiro e co-piloto antes do embarque para voo que caiu em Ubatuba
Bimotor estava em situação normal, diz Anac
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, o avião estava em situação normal, com autorização para realizar voos noturnos, porém, não poderia fazer táxi aéreo.
Segundo a família do copiloto e dono da aeronave, o voo não estava no contexto de atividade de táxi aéreo.
O bimotor foi fabricado em 1981. Seu Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) venceria em 6 de agosto de 2022.
Aeronave estava em situação normal, mas não tinha autorização para fazer táxi aéreo
Reprodução/Anac
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