Jornal da Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro

Um ano após incêndio, Hospital de Bonsucesso não recebe pacientes por falta de profissionais


Ministério Público Federal cobra a reabertura da unidade, que concluiu as obras de reestruturação em junho deste ano. Quase um ano depois do incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso, o RJ2 esteve no prédio parcialmente destruído pelo fogo. As obras estão prontas desde junho, mas o local não recebe pacientes porque faltam profissionais de saúde.
Paredes foram pintadas, placas novas foram instaladas e foi feita a reestruturação do prédio que pegou fogo no hospital. Entretanto, não há pacientes na recepção de adultos ou na sala de sutura.
Na sala de observação feminina, como mostrou o RJ2 nesta segunda-feira (18), a porta está trancada. Dentro do espaço, macas novas e tudo preparado para um eventual retorno. Mas, por enquanto, vários departamentos do Hospital Federal de Bonsucesso permanecem fechados.
É o caso do centro de tratamento intensivo (CTI), emergência e pós operatório. E isso ocorre porque faltam profissionais. Pelo menos 400 prestadores de serviço com contrato temporário foram emprestados a outras unidades no ano passado e não voltaram ao hospital.
Em 27 de outubro do ano passado, um grande incêndio destruiu parte da unidade. O Ministério da Saúde reconheceu oficialmente três mortes. Mas nas duas semanas seguintes, 13 pacientes transferidos às pressas por causa do fogo não resistiram e também morreram.
Incêndio atinge Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), nesta terça-feira (27)
Ricardo Moraes/Reuters
A investigação ficou por conta da Polícia Federal, que até esta segunda não havia divulgado o laudo pericial. O RJ2 mostrou que, sete meses depois do incêndio, o hospital perdeu 1.300 funcionários. Eram 3.727 profissionais; ficaram 2.419 – 35% a menos de toda a força de trabalho.
O resultado foi o desmonte dos serviços. Atualizada nesta segunda, a página do censo hospitalar – que mostra a ocupação dos leitos em hospitais públicos do Rio – indica que 258 leitos do Hospital Federal de Bonsucesso estão impedidos. Ou seja, 68% das vagas fechadas para a população.
Não há vaga na UTI adulta e os poucos leitos que estão liberados para internação já estão ocupados.
MPF cobra reabertura
O Ministério Público Federal está cobrando a reabertura do prédio reformado do hospital. E também a volta do funcionamento de leitos. Isso porque as obras de recuperação da infraestrutura elétrica da unidade foram finalizadas em junho.
Um laudo técnico mostra que depois intervenções, a infraestrutura física do hospital apresenta estabilidade, solidez e segurança – e não há motivos para que os leitos não sejam reabertos.
Numa reunião no dia 9 de setembro, o próprio diretor do hospital Cláudio Pena afirmou que a unidade estava pronta para uma abertura parcial, mas que depende da “recomposição de recursos humanos na unidade”. Segundo ele, o Hospital de Bonsucesso precisa de pelo menos 700 profissionais.
Em um documento enviado ao MPF, a Superintendência de Saúde garantia que em 15 de outubro deste ano as atividades no hospital seriam retomadas.
Entretanto, no dia 15, data da promessa, a Superintendência avisou aos procuradores que “a apresentação de um cronograma para a abertura de algumas áreas foi prejudicada” e, mais uma vez, disse que o problema para a retomara era a necessidade de profissionais.
Não foi estipulado um novo prazo para a reabertura ou previsão de contratações.
O que dizem os citados
Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações sobre o incêndio estão avanças, mas que depende do laudo pericial que está sendo elaborado.
Sobre a direção não ter cumprido a data de reabertura da unidade, o Ministério Público Federal informou que está analisando a situação.

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