Jornal da Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro

Diretora de hospital federal do Rio confirma ter sofrido pressão para manter empresa irregular

Ana Paula Fernandes diz que foi pressionada pela superintendência do Ministério da Saúde para manter contrato com a Plano Construções, que recebeu pagamento por serviços que não foram executados. A diretora do Hospital Federal Cardoso Fontes, Ana Paula Fernandes, afirma que recebeu pressão da superintendência do Ministério da Saúde para manter o contrato com uma empresa suspeita de irregularidades. O contato foi feito por meio de telefonemas.
“Na verdade algumas ligações, enfim. Mas é um assunto bastante complicado pra gente falar, né? Eu fico muito exposta”.
Ana Paula não quis dar detalhes, mas confirmou que as ligações foram da superintendência.
Servidores e funcionários terceirizados se reuniram nesta quarta-feira (13) na porta do hospital à espera do superintendente do Ministério da Saúde no Rio, Pedro Pinheiro.
Coronel reformado do Exército, ele foi chamado oficialmente para participar de uma reunião e prestar esclarecimentos sobre o processo que corre no sistema federal para troca no comando da unidade, mas não atendeu à convocação do corpo clínico.
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O RJ2 apurou que a empresa em questão é a Plano Construções.
A diretora Ana Paula tentou romper por duas vezes o contrato com ela.
A primeira foi em 20 de junho do ano passado, depois de uma investigação interna que apontou irregularidades na prestação de serviços da empresa.
Uma delas, a construção de um muro no valor de R$126 mil que nunca foi entregue.
O serviço que não foi feito aparece em uma nota fiscal.
E o hospital teve que contratar uma outra firma com dinheiro público para subir o muro — uma despesa de mais R$35 mil.
No dia seguinte à tentativa de rompimento contratual, a superintendência reagiu.
Ao invés de cancelar o contrato com a empresa suspeita, decidiu exonerar a diretora.
Na época foi nomeada Vera Lúcia Ferreira Vieira, que usa as redes sociais para fazer campanhas a favor de tratamento com drogas que comprovadamente não têm eficácia contra a Covid.
O corpo do clinico do hospital protestou e o ministério voltou atrás e manteve Ana Paula no cargo.
Um mês depois, o Ministério da Saúde fez um aditivo contratual com a Plano Construções e renovou o contrato da empresa por mais um ano.
O contrato da Plano Construções com o Cardoso Fontes só foi finalmente suspenso no dia 24 de junho de 2021.
Como o RJ2 mostrou, agora o Ministério da Saúde abriu um processo para trocas nas direções dos hospitais do Rio, entre elas a do Cardoso Fontes.
Para o lugar da médica Ana Paula Fernandes, mais uma vez a superintendência quer nomear Vera Lúcia Ferreira Vieira, que defende o uso de drogas que não têm eficácia comprovada contra a Covid.
O RJ2 perguntou ao Ministério da Saúde por que o superintendente Pedro Pinheiro não compareceu à reunião nesta quarta-feira no Cardoso Fontes, mas não teve resposta.
Sobre a empresa Plano Construções, a superintendência disse que acolheu a decisão da direção do Hospital Cardoso Fontes na rescisão do contrato e que aplicou advertência e multa pelo descumprimento de obrigações contratuais.

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