Jornal da Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro

Delegacia que apura acusação de estupro em presídio do Rio quer imagens do circuito de câmeras da unidade

Crime teria sido cometido pelo policial penal Alcides Barbosa contra uma detenta. Ele já teve sua prisão em flagrante convertida para preventiva. Ex-presa que denunciou estupro em cadeia do RJ pede Justiça
A 21ª DP, em Bonsucesso, solicitou à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) as imagens do circuito de câmeras do Presídio José Frederico Marques para apurar um possível crime de estupro ocorrido na unidade pelo policial penal Alcides Barbosa contra uma detenta no último dia 9.
O ofício foi enviado à Seap no domingo (10), e requisita as imagens internas e externas do local no dia do suposto crime do horário das 15h às 21h.
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Alcides Barbosa é acusado de ter obrigado uma presa a realizar sexo oral nele em troca de “adiantar a audiência de custódia” da jovem de 24 anos. Ao se recusar a praticar o ato, a detenta foi agredida pelo policial penal e obrigada a promover a ação contra a sua vontade.
O suposto crime foi denunciado por uma policial penal que encontrou a jovem estado de choque na cela. O agente Alcides Barbosa não negou a ação, mas alegou que a mulher teria concordado em manter a relação com ele.
“Eu cheguei para fazer a triagem, né?!, Aí ele falou que eu tinha que sentar e esperar um pouquinho que ele ia conversar comigo. Eu falei: tudo bem. Aí, ele me levou tipo numa carceragem que tem lá, que só é permitida a entrada de mulheres lá, mas ele entrou. A câmera pega ele entrando e eu sentei, né? Sentei assim na cadeira e ele foi. Falou assim para mim: olha, aqui é o banheiro. Vem ver. Aí, eu levantei e fui ver o banheiro. Quando fui ver o banheiro, ele já estava com as partes íntimas para fora e falou assim pra mim: chupa aqui que eu vou adiantar sua audiência de custódia e eu falei: não. Eu tenho advogado. Aí ele: você não tem que querer, aí puxou meu cabelo, me jogou na parede e me obrigou a fazer o b(*) nele”.
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Policial já teve prisão preventiva decretada
Ele foi preso em flagrante e teve sua prisão já convertida em preventiva também no domingo (10) em audiência realizada pela juíza Monique Correa Brandao dos Santos Moreira.
“Ressalta-se que o crime é de extrema gravidade, considerando que o custodiado é agente público, inspetor penitenciário de onde se deram os fatos, que ocorreram durante o exercício de sua profissão, violando, ainda, o seu dever funcional de resguardar a integridade da vítima presa e, principalmente, pela violação de sua integridade física e psicológica, já que as consequências psíquicas perdurarão por longo tempo. Portanto, necessário o encarceramento cautelar do custodiado a fim de se resguardar a ordem pública e de evitar a reiteração de tal conduta”, escreveu ela em sua decisão.
O caso
No dia 9 de outubro uma interna do presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do Rio, foi encontrada em estado de choque por uma agente prisional.
Ao ser questionada sobre o que houve, ela contou que foi obrigada a fazer sexo oral no policial penal Alcides Barbosa. A denúncia foi encaminhada para a Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que abriu investigação interna e repassou ainda o caso para a 21ª DP, em Bonsucesso. Alcides, que não negou a ação, foi preso.
Em entrevista ao RJ2, a ex-presa disse que espera pela punição do policial penal.
“Quero que ele pague. Vou tentar seguir minha vida, que não vou seguir minha vida assim rápido porque estou abalada com tudo isso. É uma coisa que me fez muito mal e não sei como vai ser daqui pra frente”.

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