Jornal da Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro

Polícia investiga se treinador preso teria filmado abusos contra jovens atletas


Celular foi enviado para perícia. Delegado responsável pelo caso já sabe que Hamilton apagou mensagens do celular no momento da prisão. Treinador suspeito de aliciar e abusar de jovens atletas, passa por audiência de custódia
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se o treinador de basquete suspeito de aliciar e abusar de jovens atletas também gravava os abusos que cometia. Hamilton Lemos de Oliveira foi preso no fim de semana e deve passar por uma audiência de custódia nesta segunda-feira (20).
O delegado responsável pelo caso já sabe que Hamilton apagou mensagens do celular no momento da prisão, no Clube Jequiá, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio.
Em conversas por mensagem com outro treinador de um projeto social, um dos meninos que afirma ter sofrido abuso, disse que o suspeito começou a apagar os vídeos que tinha gravado no celular quando recebeu uma ligação da Polícia Civil. E que Hamilton tinha pedido a dois dos meninos para desmentir os abusos aos investigadores.
A Polícia Civil afirmou que o treinador permaneceu em silêncio durante todo o depoimento.
Perícia
Uma perícia detalhada no telefone de Hamilton foi pedida pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav).
“Foi apreendido um telefone celular, porque ele tinha arquivos de abusos sexuais perpetrados contra os adolescentes e contra os jovens maiores também. Com a apreensão do telefone, acreditamos que a perícia vá conseguir recuperar estes arquivos e ele vai responder por este crime também do ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente]”, afirmou o delegado Adriano França.
França destacou que as provas do caso são “robustas” e que o inquérito conta com a citação de cerca de 30 vítimas.
O suspeito sendo conduzido por agentes da DCAV
Divulgação
Hamilton, de 56 anos, foi preso no último sábado (18). Cinco vítimas o acusam de ter cometido abusos sexuais e denunciaram o treinador, que comanda um instituto que recruta jovens de todo o Brasil. A sede fica em um apartamento na Abolição, Zona Norte da cidade. Um dos atletas relatou que passou por momentos difíceis no lugar.
“A gente foi ameaçado diversas vezes. Então, teve gente lá que foi abusado sexualmente de forma absurda, entendeu? Mas que é até difícil chegar aqui e falar isso para vocês”, contou o menor.
A Secretaria de Vitimados do Governo do Estado do Rio de Janeiro passou a acompanhar o caso.
A secretária estadual de Vitimados afirma que a pasta está dando apoio às vítimas.
“Nós acompanhamos psicologicamente estas vítimas, duas psicólogas acompanharam no momento que eles chegaram à delegacia. Algumas destas vítimas não moram no Estado do Rio de Janeiro e será providenciado o retorno aos seus estados de origem. E os que estão morando no Rio de Janeiro já têm uma tutora e ela está acompanhando as vítimas no abrigo”, afirmou Tatiana Queiroz, secretária estadual de vitimados.

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