A Força-Tarefa do Caso Marielle e Anderson (FTMA) do Ministério Público do Rio (MPRJ) encontrou indícios de envolvimento do sargento reformado da PM Ronnie Lessa, acusado do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (Psol) e Anderson Gomes, em outros quatro assassinatos.

Por Redação, com Brasil de Fato – do Rio de Janeiro

A Força-Tarefa do Caso Marielle e Anderson (FTMA) do Ministério Público do Rio (MPRJ) encontrou indícios de envolvimento do sargento reformado da PM Ronnie Lessa, acusado do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (Psol) e Anderson Gomes, em outros quatro assassinatos. MP e Delegacia de Homicídios da Capital também comprovaram ligação de Lessa com o ex-vereador e ex-chefe da milícia da Gardência Azul, Cristiano Girão, em dois homicídios.

Ronnie Lessa está preso desde março de 2019 e irá a júri popular, junto com Élcio Queiroz, pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes

Por conta da descoberta, o MP irá reabrir os inquéritos que investigam as mortes do ex-deputado estadual Ary Brum, em 18 de dezembro de 2007, do então presidente da associação do Camelódromo da Rua Uruguaiana, Alexandre Farias Pereira, em 18 de maio de 2007, e dos irmãos Ary e Humberto Barbosa Martins, ocorridos em 6 de novembro de 2006.

De acordo com o jornal Extra, os investigadores encontraram na casa de Lessa a íntegra do depoimento de um filho do então líder do Camelódromo, prestado à época da execução da vítima, grampeado a um bilhete no qual se lia “Periquito mandou sarquear”. Sarquear, na gíria policial, significa levantar a folha de antecedentes criminais (FAC) de investigados. A força-tarefa apurou que “periquito” era o apelido de Djacir Alves de Lima, que teria assumido controle da associação no lugar de Alexandre.

Ainda segundo a reportagem, os investigadores também constataram que Lessa pesquisou o CPF do ex-deputado estadual Ary Brum no dia 22 de outubro de 2007. Cerca de dois meses depois, no dia 18 de dezembro, Brum foi executado em carro oficial no viaduto de acesso à Linha Vermelha, em São Cristóvão, na Zona Norte, ao sofrer uma emboscada pelos ocupantes de um Honda Civic.

Mais revelações

O diário conservador carioca O Globo revelou também, no domingo, que a Força-Tarefa do Caso Marielle e Anderson e a Delegacia de Homicídios da capital concluíram as investigações que comprovam a ligação de Cristiano Girão, ex-vereador e ex-chefe da milícia de Gardênia Azul, na zona oeste do Rio, com Ronnie Lessa.

Girão teria contratado Lessa para executar o ex-policial André Henrique da Silva Souza, o André Zóio, e sua companheira, Juliana Sales de Oliveira, de 27 anos, crimes ocorridos em 14 de junho de 2014, em razão de uma disputa pelo controle da Gardênia.

A peça que estava faltando para conectar Girão a Lessa foi descoberta pelas promotoras da força-tarefa, Simone Sibílio e Letícia Emile, e pelo delegado Moysés Santana, que indiciou Girão, aponta a reportagem.

Em consequência disso, as promotoras denunciaram o ex-vereador. Este foi o último ato do trio que deixou o caso na semana passada. Segundo fontes, as duas promotoras entregaram os cargos alegando “interferências externas” da Polícia Civil no MPRJ. Já Santana foi exonerado do cargo.

Ao provar que Girão contratou Lessa para matar Zóio, é aberta a possibilidade, segundo as investigações, de ele tê-lo chamado para outras empreitadas criminosas semelhantes, inclusive as execuções da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, mortos numa emboscada em março de 2018.

O ex-vereador é um dos personagens denunciados pela CPI das Milícias, conduzida, 10 anos antes do duplo homicídio, pelo então deputado estadual Marcelo Freixo.

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