Jornal da Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro

‘Tatuzão’ das obras do metrô do Rio está parado e enferrujando há cinco anos


Tuneladora foi encostada num trecho a caminho da também esquecida Estação Gávea. A “estrela” da expansão do metrô do Rio se apagou e vem se deteriorando há cinco anos. O Tatuzão, apelido do Boring Tunnel Machine, enferruja a cada dia, e ninguém sabe se vai funcionar de novo.
A tuneladora foi trazida da Alemanha para escavar o caminho subterrâneo até a Barra da Tijuca, a um orçamento de R$ 9,6 bilhões.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) afirma que a obra foi superfaturada. Já o Ministério Público Federal (MPF) diz que o projeto da Linha 4 foi alterado justamente para que o Tatuzão fosse empregado.
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Tatuzão do metrô do Rio está parado há 5 anos e enferrujando
Reprodução/TV Globo
O ex-governador Sérgio Cabral, hoje condenado a 393 anos de cadeia, comandou o início dos trabalhos em 2013. À época, o governo justificava o uso da supermáquina.
“É muito, comparado às outras tecnologias. Se fossem abrir valas, por exemplo, a produtividade seria muito menor, até cinco vezes menos, dependendo do tipo de solo”, explicou Aluísio Coutinho Júnior, gerente de produção.
A Linha 4 foi inaugurada a tempo da Olimpíada de 2016, mas a extensão até a Gávea ficou para depois.
Tatuzão em funcionamento
Divulgação/ Henrique Freire/Governo do Estado do Rio
Desde então, o Tatuzão está encostado num túnel inativo a 900 metros da Estação Antero de Quental, no Leblon, na rota até a Gávea. Uma parede metálica protege a máquina do vaivém das composições da Linha 4.
Esse tapume não impediu que, ao longo desses cinco anos, a corrosão atacasse os 11 metros de altura e os 123 metros de comprimento da megaescavadora.
A máquina chegou a passar por uma desmontagem parcial, para proteger algumas peças, e recebeu óleo especial nos motores, a fim de ficar um longo período parada. Hoje, a manutenção é apenas para tirar a água e para ventilar a caverna.
Lúcio Silvestre, presidente do consórcio construtor, acredita que o Tatuzão ainda funciona.
“Ele foi preparado para ficar parado. A gente só vai saber [se vai ligar] quando começar a fazer um novo comissionamento. Aí é necessário trazer os técnicos da fábrica para ter uma dimensão melhor e entender o que precisa ser feito”.
Investigações
Há duas investigações em curso sobre as obras da Linha 4 do metrô.
Uma auditoria do TCE-RJ apontou superfaturamento e sobrepreço de R$ 3,7 bilhões. De acordo com o tribunal, foram identificados pagamentos indevidos perante medição de quantidades maiores do que aquelas efetivamente executadas ou de medição em desconformidade com as especificações contratadas.
Já o MPF afirma que o traçado da Linha 4 do metrô foi alterado para deixar a obra mais cara. Com as mudanças, o orçamento aumentou 11 vezes.
Parte da broca do Tatuzão no Rio está enferrujada
Reprodução/TV Globo
O que dizem os envolvidos
O consórcio contesta as análises do TCE. Diz que outros laudos não encontraram irregularidades e quer prosseguir com a obra.
Ao Blog, o governador Cláudio Castro (PL) afirmou que a prioridade, agora, é afastar os riscos de desabamento da Estação Gávea. O buraco foi inundado para reduzir a pressão sobre o terreno.
Enquanto isso, o Tatuzão, que não avança nem um centímetro, precisava escavar apenas 1.200 metros para chegar à Gávea.
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