Nos bairros da zona sul, a aglomeração de pessoas em bares, festas privadas e locais públicos foi frequente durante o carnaval. Expectativa é de que essa perigosa folia continue até o fim do mês.

Desta vez não se pode culpar as autoridades. Mesmo com decretos do poder público de proibição do carnaval, de inúmeras restrições pela cidade e com intensa fiscalização municipal, cariocas são flagrados, sem máscaras e distanciamento seguro, lotando diversos pontos da Zona Sul como ruas e esquinas famosas, bares, festas privadas e até um barco, na Praia de Botafogo.

Para os infectologistas, é certo que essa atitude do cidadão causará consequências para a saúde pública em algumas semanas.

Claro que nem todos os frequentadores dessas áreas moram na Zona Sul, mas a maioria sim. “O que mais impressiona nesse comportamento inconsequente, é que na maioria dos casos não se trata de uma ação realizada por pessoas sem instrução, como ocorre em diversos bairros do subúrbio e em comunidades, mas por jovens com o perfil de classe social média e alta, muitos deles moradores de bairros abastados, pessoas que receberam educação de qualidade e que têm acesso à informação”, analisou o comunicador social Fernando de Andrade, que acrescentou: “Esteja certo de que muitas destas pessoas criticaram o presidente da república quanto à sua postura com relação á pandemia, há algumas semanas, e que tantas outras pediram a saída da antiga presidenta por crime de responsabilidade, e, hoje, ambos agem de maneira irresponsável”.

LEME

Na Pedra do Leme, área turística da cidade, não foi diferente. No período de carnaval os quiosques próximos à estátua da Clarice Lispector respeitaram o limite de espaçamento entre mesas, mesmo lotados. Mas, em frente e ao longo da mureta, foi frequente grupos se aglomeraram ao redor de coolers e caixas de som. Edinaldo Lima, dono do quiosque Sabores da Orla, informou que até ligou para a prefeitura para ela resolver o problema, mas que nada foi feito. Segundo ele, fez a denúncia para não ser culpado.

BOTAFOGO

Um fato curioso ocorreu no sábado de carnaval. Por volta das 6h30, a reportagem de uma emissora de televisão flagrou uma festa em um grande barco na Enseada de Botafogo.

As imagens mostraram dezenas de pessoas participando do evento, onde, no deque superior, estavam bastante próximas umas das outras, sem máscaras.

GÁVEA

Durante o período, a prefeitura interrompeu diversas festas e até apreendeu equipamentos para evitar que houvesse continuidade após a saída de seus agentes. Uma delas foi em área nobre, em pleno Jockey Club, na Gávea.

LEBLON

O bairro do Leblon foi o campeão de incidentes. Centenas de pessoas circulavam sem máscara em frente a bares na Rua Dias Ferreira, uma das mais movimentadas do bairro. Em determinado momento os “foliões” eram tantos que não havia espaço para a passagem dos carros.

A Praça Cazuza, na esquina com a Avenida Ataulfo de Paiva, foi um dos pontos de maior aglomeração de pessoas na rua e alguns bares não respeitaram o espaço de segurança entre as mesas.

Para se fazer justiça, no arpoador e no mirante do Leblon, a presença de policiais militares e guardas municipais parece ter desestimulado a visita de foliões aos locais.

OUTROS PONTOS

O carnaval não parou por aí. Em diversos outros bairros, ruas e estabelecimentos houve contribuição popular para o coronavírus se espalhar. Na Urca, como sempre, é possível encontrar pessoas na mureta, no Vidigal houve festa com capacidade estourada, na Barra da Tijuca, ruas eram fechadas pela grande quantidade de pessoas e houve até show do cantor Belo, na zona norte. Já na Lapa, pela manhã, ainda era possível encontrar pessoas que viraram a noite.

ESPECIALISTA ALERTA

“Esse ambiente que está sendo mostrado agora é totalmente propício de transmissão da doença. De novo, a gente (pode ter que) dar passos para trás. E sem levar em consideração o cenário de variação genética, estar longe de uma cobertura vacinal, isso deixa a gente bastante preocupado”, afirmou o infectologista Álvaro Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em entrevista a um canal de televisão. Ele ainda lembrou que, após feriados, alguns locais do país registraram aumento de casos de Covid-19, que foram relacionados ao desrespeito ao isolamento social.

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