Jornal de Bairros – Zona Sul e Grande Tijuca

SEXUALIDADE – A MULHER NO SEXO

Ainda não tenho minha opinião formada sobre Paulo Coelho, mas outro dia estava arrumando uns papéis e me deparei com uma crônica que achei bem interessante. Ele falava que o primeiro passo da nossa mudança em relação ao sexo é a entrega. Lendo isso, automaticamente comecei a pensar: Como será que as mulheres, em meio a tantas regras de uso, estão se entregando ao sexo?

É tão bonito e libertador falar do caminho que elas atravessaram, mas é tão pouco gratificante pensar no que elas fizeram com elas mesmas. Pensemos no corpo das mulheres. Ele ainda não é dela. Muitas, ainda escondem o corpo de si ao produzi-lo baseando se num apelo visual masculino. É preciso recupera-lo para usá-lo da forma que julgar mais interessante.

Fora isso, o não envolvimento afetivo dificulta a resposta do orgasmo feminino. As mulheres não veem o sexo com a praticidade masculina e, no meio disso, algumas fazem sexo por escambo, por submissão ou mesmo sem estarem envolvidas. Só que sexo virou sinônimo de prazer e o direito do orgasmo virou um dever.

Daí, laboratórios utilizam anos de pesquisas na tentativa de decifrar a sexualidade feminina. Tentam desvendar os mistérios sobre a fisiologia desse desejo sexual. E prometem colocar em forma de gel a solução para aquelas que não se sentem muito à vontade no território sexual. Apesar desse movimento estar liberando as mulheres que não sentem desejo espontâneo, confesso minha pontinha de preocupação com a fabricação de novas doenças. Sabemos que a maioria das mulheres gosta de fazer sexo quando está bem e não para se sentir bem, o contrário dos homens.

Sejamos sinceros e menos práticos: o que interessa mais às mulheres não é só o clitóris. Algumas têm o clitóris em lugares um tanto estranhos. Basta procurá-lo.

Dra. Ana Paula Veiga | Sexóloga

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