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Um Porre de Saudade

Os bairros de Vila Isabel e Tijuca já possuíram grande número de fábricas de cervejas e refrigerantes, desde as indústrias de pequeno porte até a gigante Brahma.

Os bairros da Tijuca e de Vila Isabel já abrigaram além da antiga fábrica de cervejas e refrigerantes Hanseática, que posteriormente veio a ser transformada em Companhia Cervejaria Brahma, outras indústrias de bebidas de menor porte embora também fabricantes de produtos de qualidade. O prédio da extinta indústria Hanseática, que ainda ostenta o nome da antiga empresa em sua fachada, está localizado na esquina da Rua José Higino com a Av. Maracanã e lá funciona, hoje, um grande supermercado que conserva parte da construção original e a sua antiga e imensa chaminé. Essa indústria era de grande porte e produzia vários tipos de cervejas e de refrigerantes.

No número 66 da Rua Maxwell, quase em frente à Rua Ribeiro Guimarães, funcionou durante muitos anos em galpão construído em grande terreno, onde hoje existe um edifício de apartamentos, a Indústria de Bebidas Amazônia, que produzia cerveja preta, de alta fermentação e que fazia muita espuma, bastante apreciada para degustação com tremoços, que é uma espécie de grão conservado em salmoura. Uma curiosidade é que a indústria Amazônia produziu no ano de 1927 uma cerveja cujo rótulo ostentava o nome “Vasco da Gama”, no qual estava estampado o escudo do famoso clube, possivelmente em homenagem à inauguração, justamente naquele ano, do estádio popularmente conhecido como São Januário.

A fábrica de cervejas Portugal, que funcionou na Rua Visconde de Santa Isabel, bem nas proximidades da antiga Praça Sete, hoje a conhecida Praça Barão de Drummond, também produzia cervejas pretas semelhantes às demais, de alta fermentação e de excelente padrão. O senhor Casimiro Ferreira, de 79 anos, que é proprietário do bar Garota da Vila, um dos mais tradicionais estabelecimentos de Vila Isabel, é profundo conhecedor das antigas cervejas produzidas e comercializadas na região. Esse simpático português da região da Beira Alta chegou ao Brasil em 1955 e em 1962 se estabeleceu no ramo. “Eu vendi muita cerveja Black Portugal e Luzitânia. Inclusive a Cervejaria Portugal ficava aqui pertinho, a poucos metros do meu bar”, recorda saudoso o senhor Casimiro. O Bar Garota da Vila fica na Rua Visconde de Santa Isabel, 2.

Contudo, era na Rua Teodoro da Silva, perto da Rua Viana Drummond de onde saíam os produtos da indústria “Luzitânia”, fabricados pela cervejaria do mesmo nome, que além da famosa cerveja preta também muito espumante, produzia igualmente deliciosos refrigerantes gasosos do tipo soda e guaraná, além de groselhas e outros xaropes variados, muito conhecidos à época, e por demais apreciados. Os produtos dessa cervejaria eram não só encontrados em bares, como também entregues em domicílios através de seus “modernos” e conservados caminhões. Uma particularidade interessante é que essas cervejas pretas, muito fermentadas, e que produziam muita espuma, eram conhecidas como “cervejas barrigudas” em razão do tipo da garrafa que era escura, bojuda e possuía o gargalo arredondado.

Mas foi também na Rua Teodoro da Silva, entre as ruas Visconde de Abaeté e Sousa Franco, que se localizava a fábrica do refrigerante “Guará”, de paladar indefinido, porém muito saboroso, envasado em garrafas de forma própria e inesquecível, na cor âmbar, com volume inferior a duzentos mililitros. Este refrigerante marcou época em razão de um concurso que motivava seus consumidores a procurar debaixo da cortiça das tampinhas figuras para serem coladas em álbuns de papelão, distribuídos pelos fabricantes da bebida. O grande felizardo que completasse o álbum ganharia os prêmios anunciados. A compra do Guará era muito disputada pelas crianças e até mesmo pelos adultos, possivelmente em razão da produção ser inferior à enorme demanda. E essa grande procura era motivada pelo apelo radiofônico, veiculado pela Rádio Nacional, que possuía o maior índice de audiência daquela época, e de onde se ouvia repetidamente o jingle “Guará, Guará, Guará, Guará, melhor refrescante não há...”.   

 

 
 
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