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TEATRO - PRECISAMOS FALAR SOBRE A ARTE NECESSÁRIA!

Por Helena Bratchwogel


Vivemos um momento importante no país de repensar nossas condutas e consequentemente o que o país, vulgo governo, considera importante para a sua sociedade. E vou relatar aqui um depoimento coletado na Internet de Aline Bourseau, integrante da Cia de Teatro Contemporâneo sobre o atual momentoartístico e como isso afeta a sociedade no seu dia dia. “A arte não é útil, pois tudo que tem uma utilidade tem a finalidade de servir um outro bem que não é ela mesma e portanto não é o caso da arte que se torna necessária por si só. A arte, assim como a educação, são de extrema necessidade à vida de uma sociedade, ao ponto de nos conectarmos com algo precioso e social, com o que há de mais humano em nós, que é a própria comunicação. São os sentidos e emoções que aparecem através da arte e com isso tomamos consciência deles, e nos conecta com a humanidade e portanto nos transforma. Sim, a arte nos transforma fisicamente, emocionalmente e intelectualmente Evoluímos enquanto espécie e por isso e não apenas só por isso, me atrevo a dizer que não existe qualidade de vida se não existir arte e gente que produza arte. É quase perverso ver gente poderosa, que exerce o poder de fazer e desfazer ordens e leis, tratar o artista e a sociedade de forma tão desastrosa, descuidada, amadora no seu pior sentido, incompetente mesmo, ao ponto de achar que o artista (aquele que faz o bem social) não precisa de cuidado, de proteção e de incentivo para continuar existindo. Um médico, um advogado, um juiz, certamente exercerá melhor na sua função se tiver essa consciência de humanidade, e certamente isso acontece porque ele consome arte nas suas mais variadas formas e se conecta com estados sensíveis, com a contemplação. Talvez ele não seja o produtor dessa arte, mas consome isso feito por alguém que sabe a importância disso para a vida: os artistas. Os artistas por quem tenho o maior respeito e admiração não apenas pelo que produzem mas pelo que representam nesta sociedade e ainda os artistas brasileiro que são muito “fodas”, porque vivem num país que faz de tudo para acabar com a sua dignidade, com mil motivos para simplesmente parar de produzir, mas ao invés disso se mostram ainda mais necessários, pois são guerreiros, são potentes e a duras penas mantêm a crença no que fazem (obrigada por existirem). Mas o meu desabafo, que na verdade é um grito abafado de muitos anos e de muita vergonha de viver num país onde a educação é tão desprestigiada, onde a classe artística ainda vive na informalidade, na marginalidade. Um exemplo de como o artista que é um profissional liberal como tantos outros (advogado, psicólogo, entre outros), mas diferente de todos. até que seu trabalho vire um produto a ser consumido (e portanto o momento dê receita da vida dele próprio), precisa produzir. Atores ensaiam meses até levantar um espetáculo, artistas plásticos experimentam meses antes de virar um objeto de arte, músicos compõem e experimentam antes de virar uma música e muitos equívocos, incertezas e erros aparecem necessariamente ao longo desse tempo e sabe-se lá quanto tempo foi preciso viver para chegar àquele trabalho tão impactante, ou tão maneiro que você está consumindo, que nos permite, seres sociais, ter o privilégio de sentir algo ou pensar algo ou descobrir algo por causa de uma arte já produzida e pronta para consumo, durante esse tempo silencioso de produção. Eu pergunto: como o ser social artista vive? Porque as contas chegam, o estômago ronca, os filhos existem, o aluguel vence, a vida chega cheia de contas para serem pagas .... como podemos falar de politica cultural? Cadê o auxilio desemprego para o artista? Ou cadê o abono de impostos para o artista que não tem o produto feito ainda para a sua venda? Cadê os prazos para esse tempo que já vimos necessário?


Precisamos falar sobre a profissão reconhecida de artista! Precisamos falar como respeito, educação, sociedade capaz”.


Cia de Teatro Contemporâneo – Rua Conde de Irajá, 253 – Botafogo (próximo à Cobal). Tel: 21 2537-5204 / 21 3172-5206.






 
 
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