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TEATRO 2 - ENTREVISTA COM DINHO VALADARES

Ele é diretor de famosa companhia de teatro e um dos principais nomes do Campeonato Carioca de Improvisação.
1 - Como o teatro surgiu na sua vida, já que se formou em economia pela PUC-MG?


Quando criança costumava passar minhas férias no Rio de Janeiro com minha vó. Quando chegava aqui ela já tinha uma programação de teatro infantil para assistir. Assistíamos todas as peças que ficavam em cartaz, no período, no Teatro da Praia, que hoje virou igreja evangélica. Estudei no Centro Pedagógico da UFMG, uma espécie de CAP da UFRJ aqui. Lá também tínhamos um professor de teatro que sempre montava algo conosco. Já na faculdade, o Diretório acadêmico da PUC da época em que eu fiz a faculdade era muito atuante. Tinha várias facções de esquerda e a que comandava na era a LIBELU – Liberdade e Luta que valorizava as artes e onde o espaço para o teatro era sempre privilegiado. Fiz parte da diretoria do DA. Mas minha ficha só caiu quando fui assistir Otelo, com Juca de Oliveira e Ney Latorraca. A atuação do Ney como Yago foi fundamental para a minha opção. Ali eu vi que era o que eu queria fazer. Me formei, entreguei o diploma para o meu pai e vim para o Rio. Depois peguei de volta, pois ter feito economia foi fundamental na minha carreira, especialmente em tempos de Lei Rouanet.

2 - De onde vem toda a sua inquietação artística?


Vem do tempo da faculdade, da minha participação política. Da vontade de mudar o mundo através da política. Cheguei a me filiar ao PDT e depois ao PT. Depois saí. Vem de acreditar em um mundo melhor. Vem de perceber como o canal político estava fechado e como a arte e o teatro se mostravam como alternativa para a minha geração. Vim fazer teatro para expressar pensamentos, por isso escrevo, dirijo e atuo, não necessariamente ao mesmo tempo, mas pratico. Minha geração veio às artes e encontrou um cenário muito fraco. Muitos de nós entraram na briga de acreditar na possibilidade de grupos e Cias. que conseguissem sobreviver sem entrar neste cenário estabelecido.

3 - O que representa para você – diretor e fundador da conceituada Cia de Teatro de Teatro Contemporâneo – o trabalho que vem desenvolvendo até agora?


A Cia. de Teatro Contemporâneo representa a minha luta e de todos os participantes dela por um mundo melhor. Por relações mais humanas e amistosas na arte de representar. Por entender que a arte é um direito de todos e todos podem praticá-la. Que o teatro é um trabalho de melhoramento do ser humano e o melhor investimento em si mesmo. A expressão é um trabalho seu com o universo. E a possibilidade de viver outras vidas é tão enriquecedora enquanto experiência, que todos deveriam passar pelo menos uma vez por ela. A Cia. foi um resgate de artistas que faziam somente a arte da sobrevivência (aquela arte que você somente é instrumento para terceiros falarem, que não representa seu coração), em uma arte que completa e os torna donos da sua trajetória.

4 - Qual é o referencial artístico da Cia?


A Cia. sempre teve como norte a busca do entendimento do homem contemporâneo, seus signos e valores. Buscando sempre através do significado de cada signo entender os valores sociais. Extraindo estes signos e colocando em uma peça clássica onde eles possam ficar ainda mais em evidência.

5 - O que mais te emocionou nos últimos tempos na Cia?


São vários fatos. O primeiro é o nível de amadurecimento de nossos atores. Eles são os melhores que eu conheço e tem nível para atuar em qualquer meio de comunicação com muito sucesso. Outro fato foi nossas relações internacionais que estão se aprofundando. Fizemos em abril uma turnê pela Argentina, nas cidades de Buenos Aires, Córdoba e Mendoza, onde fomos muito bem recebidos. E agora no Campeonato teremos a honra de receber amigos argentinos, peruanos, uruguaios para se apresentarem conosco. Também estaremos trazendo a Amy Roeder de Chicago/EUA, treinadora do Second City (local onde saíram alguns dos principais comediantes do mundo) e coordenadora do Chicago Improv Festival, para uma oficina na Sede da Cia. de Teatro Contemporâneo. Ainda temos algumas vagas. Tudo isso sem qualquer patrocínio.




 
 
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