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SEGURANÇA - RESULTADOS DA VIOLÊNCIA

Estudo da FGV DAPP e aplicativo Fogo Cruzado mostra que 129.165 alunos da rede municipal do Rio foram prejudicados por tiroteios.


Entre julho de 2016 e julho de 2017, a cidade do Rio de Janeiro registrou 3.829 tiroteios. O dado é um dos que compõem o mapeamento sobre tiroteios e disparos de armas de fogo, realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV e o aplicativo e mapa colaborativo Fogo Cruzado. Foram analisados dados acumulados entre julho de 2016 e julho de 2017, cruzados com informações de instituições públicas de ensino do Rio de Janeiro (escolas e creches). A análise resultou em mapas e estatísticas do impacto da violência armada sobre a população em idade escolar na cidade do Rio de Janeiro.


“A violência tem impacto direto na capacidade de aprendizado e de desenvolvimento de novas habilidades, comprometendo as possibilidades de vida de crianças e jovens. Quanto mais novo o aluno, maiores são os efeitos perversos provocados pela violência, como a falta de concentração e a dificuldade em absorver informações. Remover as escolas dessas áreas não é uma resposta adequada à situação porque as crianças e os adolescentes vivem nessas comunidades, então eles continuariam sofrendo os efeitos adversos da violência”, diz a pesquisadora da FGV DAPP Bárbara Barbosa.


O estudo constatou que 1.809 instituições de ensino fundamental e médio e 461 creches e serviços de educação infantil atuam no município. Os bairros de Costa Barros, Acari e Cidade de Deus são os que concentram maior número de escolas municipais, estaduais e creches expostas à violência armada. Grande parte das ocorrências de tiroteios/disparos de arma de fogo se concentraram na Zona Norte, principalmente nas regiões do Complexo do Alemão (218 registros) e da Maré (119 registros). As imediações da Avenida Brasil, na altura do bairro da Penha, com 128 registros, também chamam atenção.


“Das 1.537 escolas e creches municipais no Rio de Janeiro, onde, neste ano, estudam 641.655 alunos, 381 escolas ficaram fechadas um ou mais dias durante o primeiro semestre de 2017 por causa de tiroteios ou em consequências deles. Nessas instituições municipais de ensino, 129.165 alunos ficaram sem aulas por períodos que variaram entre um e 15 dias. O número equivale a 20,12% do total da rede municipal (641.655 alunos)”, descreve o estudo da FGV DAPP em parceria com o aplicativo Fogo Cruzado.


A análise aponta ainda que, no ano passado, dos 200 dias do ano letivo 157 tiveram escolas e creches fechadas (78,50%). No primeiro semestre deste ano, em 99 dias dos 107 dias do ano letivo tiveram escolas e creches fechadas (92,52%). Das 388 escolas e creches municipais que tiveram as aulas paralisadas por causa de tiroteios, 36 escolas e creches não funcionaram nove dias ou mais.


Entre as 36 escolas mais afetadas no período analisado, a que mais vezes ficou fechada está na Cidade de Deus, paralisada por 15 dias. O maior número de instituições de ensino fechadas foi registrado no Complexo da Maré: 42 escolas e creches municipais. Em seguida, Cidade de Deus e Complexo do Alemão, empatados com 21 unidades de ensino cada um.


“O bairro de Acari, onde a estudante Maria Eduarda, de 13 anos, foi morta dentro da escola, também apresenta altos índices de violência. Em média, há um tiroteio a cada cinco dias na região. Os alunos de comunidades expostas à violência são privados da experiência educacional e têm a qualidade do ensino afetada. Já os estudantes em locais sem conflito gozam, livremente, do acesso à educação”, ressalta a análise da FGV DAPP.


Por fim, os pesquisadores da FGV DAPP constataram também que, para mitigar os efeitos adversos da exposição à violência, o poder público deveria capacitar os professores de forma que eles possam atender às necessidades especiais de seus alunos e oferecer condições especiais de contratação para os profissionais que atuam nessas áreas, de forma a garantir estabilidade nas relações escolares, com o intuito de diminuir a rotatividade dos professores. Exemplo: adicionais salariais e atendimento psicológico aos profissionais.





 
 
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