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Noel Rosa, O Poeta da Vila

A história de Vila Isabel está intimamente ligada à existência de um de seus mais famosos moradores, que, embora tendo falecido com apenas 26 anos de idade, deixou seu nome registrado em centenas de composições musicais, fazendo o bairro ser conhecido como o berço do samba.

Noel de Medeiros Rosa, o imortal compositor e sambista Noel Rosa, nascido e criado no famoso bairro de Vila Isabel, nasceu de um parto difícil, que lhe causou uma lesão característica em seu rosto que o acompanhou durante toda a sua curta existência. Noel viveu poucos anos, porem intensamente, tendo morrido em razão da temida tuberculose, doença de difícil cura à época, motivada pela boemia, e pelas noites mal dormidas.

O Poeta da Vila, como ficou imortalizado, nasceu no dia 11 de dezembro de 1910 e faleceu, também no mesmo bairro em que nasceu, ou seja, em Vila Isabel, em 4 de maio do ano de 1937. Seus pais formavam um casal de classe média. Noel Rosa iniciou seus estudos no Colégio São Bento. Mais tarde matriculou-se numa faculdade de Medicina, onde cursou apenas dois anos. Porém, a profissão de médico não o atraiu mais do que a música. Desde cedo começou a compor suas primeiras melodias. Logo depois celebrizou-se com a melodia “Com Que Roupa”, em cujos versos, de forma muito divertida, indaga “com que roupa  eu vou ao samba que você me convidou”. Sempre entregue à boemia, Noel Rosa teve inúmeras namoradas casando-se com Lindaura, que trabalhava como operária de uma fábrica de tecidos do bairro. “Quando o apito da fábrica de tecidos vem ferir os meus ouvidos eu me lembro de você” é um trecho da música “Três apitos” que Noel compôs em homenagem àquela que viria a ser sua esposa.  Logo depois a moléstia passou a consumi-lo até sua prematura morte. Na tentativa de salvar-se da doença e se recuperar Noel viajou para algumas viagens para cidades mais altas, em busca de um clima mais saudável e de ar mais puro e da tão desejada melhora. Mesmo assim, ao voltar, sempre julgando-se totalmente curado, voltava à sua vida de boemia e entregava-se novamente à bebida e aos cigarros, não largando a boemia, agravando seu estado de saúde.

Cerca de três centenas de músicas foram compostas por Noel, individualmente ou com parceiros. “Conversa de Botequim”, com seus versos alegres pedindo “seu garçom faça o favor de me trazer depressa uma boa média que não seja requentada, um pão bem quente com manteiga à beça, um guardanapo e um copo d’água bem gelada...” por exemplo, junto com “Feitiço da Vila” e “Palpite infeliz” são três outros clássicos que fazem parte de sua brilhante carreira, que, com as demais obras musicais fazem perpetuar sua relevante memória..Até hoje suas músicas são relembradas em discos e muito executadas por sambistas apaixonados por esse estilo de samba. Na Avenida 28 de setembro (Boulevard) foi colocado um busto retratando sua figura e, no início deste logradouro, nas proximidades do largo do Maracanã, perpetuando o autor e a sua famosa composição Conversa de Botequim encontramos um monumento que é constituído de duas figuras: Noel sentado à mesa de um bar sendo servido por um garçom.

Se a tradição de Vila Isabel está intimamente ligada ao samba, deve-se a este grande compositor que colocou o seu nome na história fazendo o bairro ser conhecido por todos como a Terra do Samba e Terra da Boemia.


 
 
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