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Igreja dos Capuchinhos: Parte da História do Rio

Templo religioso da Tijuca conserva maravilhosas relíquias em suas dependências, como os restos mortais de Estácio de Sá, fundador da Cidade Maravilhosa, também a pedra fundamental da cidade e ainda a imagem primitiva do padroeiro São Sebastião, trazida de Portugal no século XVI.

Poucos cariocas sabem, mas os restos mortais do fundador da cidade do Rio de Janeiro, Estácio de Sá, repousam há quase 100 anos na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca.
A Igreja de São Sebastião do Rio de Janeiro, ou dos Capuchinhos, como também é conhecida, pertence à Ordem dos Frades Franciscanos e está situada na Rua Haddock Lobo, 266, no coração tijucano. O templo é suntuoso e possui rica e bela decoração em mármore e granito. O ambiente, pelo seu silêncio, inspira muita tranquilidade e paz aos muitos fiéis que frequentam o local.


Túmulo de Estácio de Sá, fundador do Rio.

Lá, em posição de destaque, repousam num túmulo próximo ao altar-mor os restos mortais de Estácio de Sá, falecido em 1567, ele que foi fundador da cidade do Rio de Janeiro e sobrinho de Mem de Sá, importante militar e colonizador português do século XVI. No templo também se encontra, em local bem visível, também nas proximidades do altar-mor, de forma bastante destacada, a suntuosa pedra fundamental desta cidade.
Após Estácio fundar a cidade em 1º de março de 1565 na Praia de Fora, localizada entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, no atual bairro da Urca, ele e seu tio Mem de Sá foram os primeiros governadores do Rio de Janeiro. O local era de grande importância estratégica no começo da colonização portuguesa no Brasil, pois sofria constantes invasões e tinha na Baía de Guanabara local de facilidade de entrada de navios invasores franceses e por isso mereceu grande importância da coroa de Portugal.

A atual Igreja dos Capuchinhos, construída em estilo neo-bizantino, foi solenemente inaugurada no dia 15 de agosto do ano de 1931, com as ilustres presenças do presidente da República Getúlio Vargas, do Cardeal Dom Sebastião Leme e de grande quantidade de fiéis devotos. No dia seguinte à inauguração, foram transportadas para lá várias importantes relíquias, tais como a pedra fundamental da cidade, os restos mortais do fundador Estácio de Sá e a imagem europeia primitiva de São Sebastião, trazida de Portugal para o Rio de Janeiro pelo próprio Estácio. A igreja abriga também importantes quadros e imagens do século XVIII que originariamente estavam no Morro do Castelo. À época os frades Capuchinhos foram chamados de “guardiães do Rio de Janeiro”. Antes de chegarem à Igreja de São Sebastião essas relíquias haviam sido abrigadas em um convento provisório localizado na Rua Conde de Bonfim, 290, também na Tijuca.

A antiga igreja que abrigava todas essas relíquias da cidade estava situada no Morro do Castelo e foi construída a mando de Salvador Correia de Sá, primo de Estácio, em 1583, para abrigar as valiosas peças e servir de mausoléu, que assim ajudou a preservar a importante memória da cidade.


Marco da Cidade Maravilhosa.

Em 1842 a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos assumiu a direção da Igreja de São Sebastião no Morro do Castelo, a pedido do Império do Brasil. O templo, àquela altura, encontrava-se bastante abandonado e a nova direção emprestou um novo dinamismo e força à evangelização, notadamente com as bênçãos das primeiras sextas-feiras, o que acontece tradicionalmente até os dias de hoje com a afluência de uma enorme quantidade de devotos.

As atividades dessa igreja foram encerradas no dia 1 de setembro de 1921, com a missa celebrada para todos os falecidos e cortejo solene acompanhado pelo arcebispo Dom Sebastião Leme, do presidente da república Epitácio Pessoa e do prefeito da cidade do Rio de Janeiro Carlos Sampaio. Com a demolição do Morro do Castelo, para dar lugar às comemorações do primeiro centenário da Independência do Brasil, os freis Capuchinhos tiveram que procurar outro lugar para construir um novo templo religioso, um novo convento e também para abrigar as relíquias históricas da cidade. Por esse motivo a igreja é chamada pelos fiéis de São Sebastião dos Capuchinhos ou Barbadinhos, em razão das longas barbas que possuíam. Com as constantes transformações urbanas a terra do Morro do Castelo, local que abrigou a antiga igreja, serviu para aterrar outras partes da cidade.
A Igreja dos Capuchinhos, patrimônio religioso e cultural da cidade do Rio de Janeiro, está aberta para visitação de terça a domingo, das 7 às 20 horas. O local abriga boa parte da memória da Cidade Maravilhosa. Atualmente a direção da igreja está a cargo do Frei Paulo Roberto Gomes, que é o pároco de São Sebastião e recebeu nossa equipe com bastante cordialidade.

O Órgão da Igreja:

A igreja de São Sebastião do Rio de Janeiro possui em seu coro um tradicional e belo órgão de tubos, com dois teclados e pedaleira, que é um terceiro teclado para o organista tocar com os pés. Atualmente o instrumento não está funcionando, porque necessita de uma grande restauração que está avaliada em 170 mil reais. Segundo frei Paulo Roberto Gomes, pároco da igreja dos Capuchinhos, esse órgão foi instalado no templo no ano de 1952, tendo sido projetado pelo engenheiro alemão Guilherme Berner, na cidade de Petrópolis.

O instrumento foi inaugurado pelo organista carioca Antonio Silva e sua parte exterior ostenta seus grandes tubos prateados, que servem para a emissão dos variados timbres sonoros. Esses tubos são visíveis de qualquer ponto da igreja, constituindo assim uma linda decoração.

 


 
 
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