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HISTÓRIA: A HISTÓRICA URCA


 

O início do bairro se mistura com o surgimento da própria cidade de São Sebastião.


Nela há o encontro do Oceano Atlântico com a Baía de Guanabara. Nela ficava uma das maiores casas noturnas do mundo, o Cassino da Urca, que ajudou a propagar a fama internacional de Carmem Miranda. Nela está nada menos do que o Pão de Açúcar. Por isso, e por muito mais, a Urca é um dos bairros mais importantes do Rio de Janeiro.


Outras instituições importantes estão sediadas ali, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), a Escola de Guerra Naval (EGN), a Escola Superior de Guerra (ESG), o Instituto Militar de Engenharia (IME), o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, o Instituto Benjamin Constant, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o Forte São João, o Museu de Ciências da Terra e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).


É também um ambiente tranquilo, com casarões históricos, ilustres moradores, como o cantor Roberto Carlos, e possui vistas incríveis.


Se alguém tinha dúvidas da importância desse tradicional bairro, não tem mais. Vamos conhecer também um pouco de sua riquíssima história.


HISTÓRIA


A história do povoamento europeu das terras do que hoje é conhecido como bairro da Urca remonta ao início da própria cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Até o século XVI, toda a região ao redor da Baía de Guanabara era habitada por povos indígenas de língua tupi. Em 1555, colonos franceses sob o comando de Nicolas Durand de Villegagnon estabeleceram-se na Baía de Guanabara, levando Portugal a enviar uma expedição para expulsá-los em 1560, sob o comando do capitão-mor Estácio de Sá.


Estabeleceu um núcleo fortificado à entrada da barra em 1º de março de 1565, dando por fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O local do desembarque e da fundação foi a atual Praia de Fora, nos terrenos da Fortaleza de São João. Vale notar que, na época, o conjunto dos morros Cara de Cão, do Pão de Açúcar e da Urca era isolado do continente, formando uma ilha chamada Ilha da Trindade.


Os portugueses decidiram se estabelecer nessa ilha justamente pela proteção que esta oferecia contra o ataque dos índios tupinambás (também chamados tamoios) que dominavam a baía. Após o desembarque, foi erguida uma ermida (capela) para entronizar a imagem de São Sebastião.


O fundador, Estácio de Sá, morto em 1567, foi enterrado na mesma capela, e ficou até 1583, quando seu corpo foi trasladado para o Morro do Castelo, onde a cidade já estava.
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DESENVOLVIMENTO
Localizavam-se as primeiras casas e igrejas da cidade na área onde hoje funcionam a Fortaleza de São João e a Escola de Educação Física do Exército. Com a mudança da cidade para o Morro do Castelo, a Vila ou Cidade Velha, como passou a ser chamada, passou a ser usada somente na defesa da Baía de Guanabara.
Nos anos de 1659-1660, o trecho de mar entre a Ilha da Trindade e o continente foi aterrado por ordem do governador da Capitania do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, formando a atual Praia Vermelha. Os primeiros prédios que ocuparam a Praia Vermelha tinham por objetivo, dada sua localização, a defesa militar. Assim, logo no início do século XVIII, foi construído um forte.


Até o final do século XIX, o bairro da Urca, no formato pelo qual o conhecemos hoje, simplesmente não existia, porque as águas da Baía de Guanabara batiam diretamente nas rochas que circundam os morros da Urca e do Pão de Açúcar, inviabilizando qualquer edificação nessa área. Para se ter acesso à Praia de Fora e à Fortaleza de São João, por exemplo, era necessário ir diretamente pelo mar.


Em 1852, foi inaugurado o Hospício Pedro II, no prédio atualmente ocupado pelo campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1854, foi inaugurado o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, atual Instituto Benjamim Constant.


A partir de 1856, instalam-se, sucessivamente, na Praia Vermelha, o Batalhão de Engenheiros e a Escola Militar e de Aplicação. Entre 1870 e 1880, o comerciante português Domingos Fernandes Pinto sonhou em transformar o local num novo bairro, ou melhor, numa nova cidade, com os prédios obedecendo “a um novo estilo, elegante e artístico”. Em 2 de março de 1895, ele assinou contrato com o município para a construção de um cais, ligando a Praia da Saudade, em frente ao Instituto Benjamim Constant, à Escola de Aprendizes de Artilheiros, na Fortaleza de São João. Mas esta obra foi embargada pelo Exército, com a alegação de que a obra prejudicaria a defesa do forte (como se viu mais tarde, o bairro em aterro criou um acesso mais direto àquela área militar).


Em 1908, realizou-se, no bairro, a Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, para a qual foram construídos vários edifícios. A maioria desses edifícios foi derrubada após o término da exposição. Uma exceção foi o prédio do Pavilhão dos Estados, que é atualmente ocupado pelo Museu de Ciências da Terra. Em 1912, foi inaugurado o Bondinho do Pão de Açúcar. Em 1919, foi assinado um novo contrato com a prefeitura, mas Domingos Fernandes Pinto não pôde cumpri-lo. Em 1921, o engenheiro Oscar de Almeida Gama constitui a Sociedade Anônima Empresa da Urca, para construção de um cais ligando a Praia da Saudade (na entrada do bairro) à Fortaleza de São João, nos termos do contrato de 1919.


ENFIM, NASCE A URCA


Entre as cláusulas do contrato para a construção do bairro da Urca, estava construir uma escola para 200 alunos, que veio a ser a atual Escola Minas Gerais. A Avenida Portugal foi inaugurada e, na mesma época, a antiga praia da Saudade recebia a denominação de Avenida Pasteur. Foram concedidos terrenos de aterro ao longo da costa para sociedades esportivas, surgindo o atual Iate Clube. Com a área pronta para ser habitada e o prédio do Hotel Balneário necessitando de maior proteção contra a água do mar, aumentou-se a faixa de areia, com os diques de proteção, ficando a praia com a forma que mantém até hoje. O efetivo início do bairro da Urca é de fins de 1922 e início de 1923, quando recebe os primeiros prédios. Em 1938, a cidade e seus habitantes têm a Praia Vermelha para uso civil, com a abertura da Praça General Tibúrcio.






 
 
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