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CULTURA - 180 ANOS DE RICA CULTURA

O Real Gabinete Português de Leitura é a associação mais antiga criada pelos portugueses do Brasil, após a independência de 1822, e chegou à expressiva marca de 180 anos de existência, em 14 de maio deste ano.


A sua sede, construída em estilo neomanuelino e que foi inaugurada pela Princesa Isabel em 1887, guarda cerca de 350.000 volumes, tendo, entre eles, milhares de obras raríssimas.


Esse acervo maravilhoso está disponível a qualquer um do povo, pois o Real Gabinete não deixa de ser uma biblioteca pública, mas acaba por receber menos visitas do que merece.


O local funciona como centro de estudos e um polo de pesquisas literárias, dirigido e frequentado por professores universitários.


Entre as obras raras do Real Gabinete, figura um exemplar da edição princeps de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, de 1572. Trata-se de uma edição de uma data apenas 72 anos posterior ao descobrimento de nossa terra. Também possui em seu espólio, o manuscrito do Amor de Perdição, obra do escritor português Camilo Castelo Branco.


HISTÓRIA DO REAL GABINETE


A instituição foi fundada em 1837 por um grupo de quarenta e três imigrantes portugueses, refugiados políticos, para promover a cultura entre a comunidade portuguesa na então capital do Império. Foi a primeira associação desta comunidade na cidade.


O edifício da atual sede, projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro, foi erguido entre 1880 e 1887 em estilo neomanuelino. Este estilo arquitetônico evoca o exuberante estilo gótico-renascentista vigente à época dos Descobrimentos portugueses, denominado como manuelino em Portugal por haver coincidido com o reinado de D. Manuel I (1495-1521).
O Imperador D. Pedro II (1831-1889) lançou a pedra fundamental do edifício em 10 de junho de 1880, e sua filha, a Princesa Isabel, junto com seu marido, o Conde d’Eu, inauguraram-no em 10 de setembro de 1887.


A fachada, inspirada no Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa, foi trabalhada por Germano José Salle em pedra de lioz em Lisboa e trazida de navio para o Rio. As quatro estátuas que a adornam retratam, respectivamente, Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama. Os medalhões da fachada retratam, respectivamente, os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett.


O interior também segue o estilo neomanuelino nas portadas, estantes de madeira para os livros e monumentos comemorativos. O teto do Salão de Leitura tem um belo candelabro e uma claraboia em estrutura de ferro, o primeiro exemplar desse tipo de arquitetura no Brasil. O salão possui também um belíssimo monumento de prata, marfim e mármore (o Altar da Pátria), de 1,7 metros de altura, que celebra a época dos descobrimentos, realizado na Casa Reis & Filhos no Porto pelo ourives António Maria Ribeiro, e adquirido em 1923 pelo Real Gabinete.


Aberta ao público desde 1900, a biblioteca possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Entre os cerca de 350 000 volumes, nacionais e estrangeiros, encontram-se obras raras como um exemplar da edição “princeps” de Os Lusíadas de Camões (1572), as Ordenações de D. Manuel (1521), um manuscrito da comédia “Tu, só tu, puro amor”, de Machado de Assis, e muitas outras.


Está aberta nos dias úteis, de 9h às 18h, e, para se tornar associado, as inscrições poderão ser feitas na Secretaria. Rua Luís de Camões, nº 30 – Centro. O telefone é (21) 2221-3138.



 
 
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