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Circuito da Gávea (Corridas Antigas)

Com características muito diferentes dos carros de fórmula um que conhecemos hoje, os famosos carros de “força livre” de outrora, também conhecidos como “baratinhas de corrida”, eram venerados pelos amantes do automobilismo, com grande destaque nas décadas de 30, 40 e início dos anos 50. . Muitos desses carros eram veículos adaptados para a disputa em provas de velocidade que, em conjunto com as possantes máquinas estrangeiras “Masseratti”, “Ferrari”, “Alfa Romeo”, “Bugatti”, dentre outras, disputavam a perigosíssima prova em pista que não era adequada para o certame.

A famosa corrida do “Circuito da Gávea”, também conhecida como “Trampolim do Diabo”, com aproximadamente cerca de 11 quilômetros de extensão, recheada de curvas e situações muito perigosas, utilizava a rua Marquês de São Vicente, a Avenida Niemayer, as margens do canal do Leblon, além de outras ruas do bairro para formar o percurso a ser percorrido por aquelas máquinas. Espectadores vindos dos mais variados locais se acotovelavam, disputando cada pedaço das calçadas, para verem seus ídolos passarem em grande velocidade, disputando as melhores colocações, envolvidos pelos ensurdecedores roncos dos motores de seus carros. 

Embora a perícia e a coragem daqueles pilotos fossem grandes, desastres ocorriam em razão da impropriedade das pistas que eram, na verdade, improvisadas com o aproveitamento de vias urbanas, ora com trechos asfaltados, ora com paralelepípedos, ou até mesmo apresentando trilhos de bondes, propícios a uma derrapagem. Mesmo assim, a prova atraia pilotos estrangeiros que vinham participar da acirrada e perigosa disputa, concorrendo com seus não menos intrépidos colegas brasileiros.

Destacaram-se nessas corridas, dentre muitos outros, os pilotos italianos Carlo Pintacuda e Luigi Villorese. Também importantes as atuações do argentino Manuel Fangio e da corredora francesa Hellé-Nice, única concorrente do sexo feminino, que surpreendeu a todos pelo seu destemor. Von Stuck, de nacionalidade alemã, também abrilhantava o circuito. Dentre os concorrentes brasileiros é de se mencionar os nomes de Irineu Correa, Rubem Abrunhosa, Henrique Casini, Manuel de Teffé e Francisco Landi, que chegou a ser vencedor em pistas internacionais.

Desastre de muita gravidade envolveu o concorrente Irineu Correa numa manobra para corrigir uma derrapagem. Seu carro subiu violentamente na calçada e após colidir com uma árvore caiu no canal. O piloto faleceu.  

Francisco Landi, mais conhecido como Chico Landi, paulista de nascimento, que concorreu
muitas vezes em países estrangeiros, teve seu nome consagrado mundialmente. O Presidente Getúlio Vargas, entusiasmado com sua performance o presenteou com um carro novo, importado, possibilitando assim ao piloto brasileiro concorrer em igualdade de condições com seus colegas estrangeiros.

A prova “Circuito da Gávea” deixou de ser disputada em 1954, só sendo interrompida durante a segunda guerra mundial.

 

 


 
 
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