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CHUVAS - NATUREZA OU DESCASO?

As consequências das chuvas do inicio de fevereiro deixaram um recado: nossa cidade é frágil.

“A culpa é de quem?”, diz uma canção da banda Legião Urbana, que nada tem a ver com as chuvas de fevereiro. Mas é essa a pergunta do carioca, hoje. Aliás, uma delas. A outra é: as tragédias podem ser evitadas?

A primeira forte chuva veio com uma das maiores ventanias da história da cidade e destruiu o que estava pela frente. Estradas bloqueadas, centenas de árvores tombadas, bairros inteiros sem energia por mais de 24 horas, carros virados e batidos, carros em rios e canais, casas e encostas desmoronadas, ônibus soterrado e mortes. O saldo trágico foi notícia em todo o mundo.

Os bairros da zona sul não foram exceção. Ruas de Botafogo e Humaitá tornaram-se rios. Atravessar alguns pontos da rua Voluntários da Pátria e da rua São Clemente precisava de destreza e coragem. A água invadiu lojas, os acessos à Ladeira dos Tabajaras e ao Morro Dona Marta pareciam cachoeiras e as ruas em volta sofreram alagamento. Assim como em outros prédios próximos, o Supermercado Prezunic na rua General Polidoro, ficou sem energia por mais de um dia, com alimentos se estragando, mesmo com o uso de geradores, que não têm a mesma capacidade da energia convencional.

Já nos bairros, a região parou por horas. A Avenida Maracanã voltou a ficar alagada e intransitável por determinado momento, a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá e o Alto da Boavista foram totalmente interditados nos dois sentidos, com risco de desabamentos. Alguns pontos pareciam cachoeiras. Em Vila Isabel, o alagamento de algumas ruas impedia a travessia de pedestres. No Grajaú, bairro conhecido por ser ricamente arborizado, carros foram atingidos por galhos e várias árvores tombaram. Algumas casas também foram atingidas. Faltou energia elétrica em várias áreas. “Passei pela rua Farias Brito no dia seguinte e simplesmente havia uma árbore sobre uma casa”, contou seu Antônio Nunes, morador do Andaraí, há 40 anos. Segundo ele, poucas vezes viu coisa igual.

O Governador Wilson Witzel colocou a culpa nos governos municipais “Isso é fruto do abandono das cidades, especificamente do Rio de Janeiro. O resultado são essas tragédias que estamos assistindo, afirmou Witzel. Depois, lembrou que é problema antigo: “Já são décadas de abandono.O problema não é de 2016 para cá”, aliviando a gestão do prefeito Marcelo Crivella. Este, por sua vez, colocou a culpa na natureza: “Ninguém esperava. Foi algo extraordinário. Foi uma chuva que a recorrência é mais de 100 anos, 120 anos”.

Há 5anos na Argentina, o executivo carioca Vitor Antunes não concorda. “Aqui foram feitas obras de escoamento e funcionou, não dá para colocar a culpa na natureza”.
Especialistas também discordam. Já em 2011, era consenso afirmar que as tragédias podiam ser minimizadas. Naquela altura, a Austrália teve a segunda maior enchente da sua história e serviu de exemplo por ter bem menos vítimas fatais do que as causadas pela tragédia na região serrana no mesmo período. Passaram-se 8 anos e as autoridades públicas não aprenderam a lição.

Voltando à entrevista com o prefeito, Crivella foi indagado se faltou investimentos na área. Respondeu que estes estão sendo feitos, mas admitiu que as dívidas deixadas pela gestão passada, com relação às olimpíadas de 2016, o impedem de investir como gostaria.

E para você, leitor: a culpa é de quem?





 
 
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