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Cervejaria Luzitânia

Uma das mais tradicionais fábricas de bebidas de Vila Isabel foi a Companhia Cervejaria Luzitânia, fundada em 1927. Quem recebeu a equipe do Corrreio Carioca, de forma muito gentil, para conversar um pouco sobre a empresa, foi um entusiasmado jovem de 92 anos, Sr. Oswaldo Alonso Garcia, morador do bairro desde 1928, que era filho do industrial Manoel Alonso Veiga, um espanhol que se estabeleceu desde logo com a fabricação de cervejas e refrigerantes. A Luzitânia, diz o simpático Sr. Oswaldo, que trabalhou junto com o pai na empresa, até seu fechamento no ano de 1980,  funcionava na rua Teodoro da Silva, 753. Possuía uma linha diversificada de produtos que compreendia além das tradicionais cervejas pretas (envasadas em garrafas “barrigudas”, também conhecidas por “achampanhadas’ e ainda nas tradicionais) uma linha de refrigerantes gasosos:  guaraná, soda, água tônica e até mate espumante. Produzia também vários xaropes para refrescos, sobressaindo-se a famosa groselha, muito apreciada pelas crianças e também por grande número de adultos. Saudoso e emocionado, o Sr. Oswaldo relembra que a indústria possuía uma conservada frota de caminhões com pintura padronizada para atender aos pedidos de revendedores e os domiciliares.


Sr. Oswaldo Alonso Garcia, filho do dono da Luzitânia


A empresa ainda tinha representantes em Niterói, Petrópolis, Duque de Caxias mas o principal mercado era o da cidade do Rio de Janeiro. O Sr. Oswaldo falou dos componentes e  fases de fabricação da cerveja preta de alta fermentação: a cevada, o lúpulo e o açúcar “demerara” eram os principais ingredientes além da água. Depois do processo de fervura o produto ficava em repouso em tanques para resfriamento e fermentação natural, processo que durava de 8 a 10 dias para só, então, ser engarrafada em temperatura ambiente. O teor alcoólico advinha da própria fermentação. Após uma rigorosa higienização dos vasilhames estes eram tampados com chapinhas metálicas e rotulados, sendo para tudo isso utilizadas máquinas automatizadas. Finalmente, as garrafas eram colocadas nos engradados e seguiam para os depósitos. Daí, para o consumidor final. Infelizmente, a mudança de hábitos com relação ao consumo da cerveja preta, que tinha nos europeus um público cativo, a concorrência enfrentada junto às grandes cervejarias e as dificuldades para importação e modernização do maquinário decretaram o fim da empresa e, conseqüentemente, a venda de seu imóvel. Hoje, no local da antiga fábrica está construído um grande edifício de apartamentos.    


 
 
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